Primo Armandinho não namorava; recorria às “profissionais do séquiço” . “Custam mais barato” , dizia. Primo Arnaldinho entrou na dele, mas se apaixonava a cada garota com quem fazia o programa.
Prima Fafi era sonhadora. Uma vez soube que no parquinho de diversões tinha vaga para “Monga, a Mulher-Gorila”. Pegou a carteira de trabalho e foi com a vizinha Valdiná pro largo Treze de Maio, pra fazer a ficha.
Lulinha enjoava toda vez que andava de ônibus. Lurdinha comia arroz frio direto da panela, e saía com soluços. Tia Maricota não podia ver chinelo virado com a sola pra cima, guarda-chuva aberto dentro de casa ou chapéu sobre a cama : “alguém vai morrer! alguém vai morrer!”
Um dia não desviraram um chinelo, e ela não viu. Foi dormir e nunca mais acordou.
A Nona escondia no colchão o dinheiro que economizava. Tinha uma bela fortuna, fato ignorado por todos. Morreu e os netos, ao arrumar o quarto, se depararam com… notas de mil-réis, cruzeiros, cruzeiros novos, cruzados…de valor corroído pela inflação, bolor, traças e sucessivos planos econômicos. O monte virou combustível de fogueira.
Tia Nena parou de ser convidada para as festas de aniversário. É que ficava de mesa em mesa recolhendo latinhas de cerveja ou refrigerante pra amassar e vender pra reciclagem.
A fama de primo Jorge ‘Tripé’ era de ser bem-dotado. Contavam que,quando criança, andou pelado no quintal e um cachorro abocanhou o pé-de-mesa. Um dia a mulher dele ouviu a história e corou: ” ainda bem que o cachorro não comeu a maior parte…”







on Feb 13th, 2008 at 5:29 am
Muito bom isso, Serbon. Inspirado em casos reais?!
Beijos,
Vanessa
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on Feb 13th, 2008 at 3:14 pm
ins-pirado, Vanessa…
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on Feb 14th, 2008 at 11:16 pm
Serbão… família é tudo igual né?!!
Um abraço, Ro Costa
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