Tapo o nariz e folheio a Veja enquanto espero o fim do expediente. é o que me resta num fim de plantão num sábado à noite.
Começo a ler a coluna Dele. Surpresa nas primeiras linhas: até que desta vez, Ele escreve coisas com sentido, sobre a mediocridade de Capitu, a adaptação bizarra de Dom Casmurro pelo Luiz Fernando Carvalho. Me pego concordando com o texto, até que… Ele volta ao normal, e no final do artigo, profere mais uma de suas sandices:
“A literatura brasileira tem um escritor. Um só. O que fizemos com ele, nos últimos cinqüenta anos, foi traí-lo com todos os Escobar que apareceram… “
Porra, Dieguinho(ou Dioguinho, nunca sei ao certo)!!! Literatura brasileira só tem um escritor??? Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Érico Verissimo…nao existiram? Eram uruguaios, chilenos, ou sei lá o quê, catzzo???
Nessa mania de ser engraçadinho, polêmico a qualquer custo, Dioguinho(ou Dieguinho) passa atestado de ignorância no ramo em que emite opinião e ganha suas moedinhas. E se iguala ao Lobão, não o político, mas o roqueiro que também andou falando abobrinha sobre literatura.







on Dec 14th, 2008 at 12:45 pm
O justo propósito de colocar Machado de Assis como o maior de todos às vezes acaba na babaquice pseudo-iconoclasta de apontá-lo o único. Não é a primeira vez que o filho de Papai Ênio escreve isso. Que seja dado o desconto de praxe.
Não conhecia essa entrevista do Lobão. O caso do rapaz é seríssimo. Não sei se ele é um musico auto-didata, mas no restante ele parece falar as coisas ‘de ouvido’. Ninguém precisa de dicionário de verbetes para ler “Sagarana”. Talvez seja o livro, digamos, mais fácil de Guimarães Rosa.
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on Dec 14th, 2008 at 2:06 pm
Pois é, Anrafel, o Grande Lobo quis dar uma de pensador iconoclasta, mas acabou revelando que nunca leu Machado nem Guimarães. Talvez não tenha lido coisa nenhuma.
Ele descreveu Machado como parnasiano. Uma pena, perde a chance de ler uma obra-prima do humor como “O Alienista”, ou “Manuelzão e Miguilim” que também não pedem ‘dicionários’ de verbete para serem devidamente saboreados.
Texto bom pra ele é “invadiram a Terra/Ronaldo foi pra guerra”…
Lobão na verdade é uma Anta.
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on Dec 15th, 2008 at 4:15 pm
Dá uma dupla sertaneja: Bobão e Babaca.
Forte abraço, Serbão e Anrafel.
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on Dec 15th, 2008 at 7:24 pm
Rosa não é dífícil. Mas com dicionário do lado fica impossível. É como naqueles filmes de ficção, em que neguinho fica tentando respirar no líquido. Tem que parar de buscar o ar e jogar o líquido nos pulmões. Largar o dicionário, e ficar ouvindo, dentro da cabeça, um caipira proseando. Aí a coisa vai que é uma maravilha. Talvez ninguém tenha dito isso pro Lobão.
Mas concordo com Lobão. Neguinho tem que parar de admirar essas besteiras do passado. Tem que buscar coisas novas e boas. Concordo tanto, que desisti de ouvir Lobão há bem uns 20 anos.
Ah, e pelamordedeu,Serbão. Sei que vc tem lá suas obrigações profissionais. Mas uns quatro ou cinco anos sem nem folhear a Veja te farão um bem enorme…
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on Dec 15th, 2008 at 8:02 pm
nao dá idéia, Ro, que eles acabam gravando juntos!
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on Dec 15th, 2008 at 8:04 pm
é verdade, K.Mello, mas por isso mesmo negociei um adicional de insalubridade por ser obrigado a folhear a “Indispensável” nos plantões do findi…
e sabe que reza a lenda que a Veja é tão americana, mas tão americana, que no fatídico 11 de setembro, o patrão Civita entrou correndo na redação berrando:
‘estamos sendo atacados! estamso sendo atacados!”
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on Dec 16th, 2008 at 12:06 am
Concordo. Tudo tem um limite. SAbe que eu estava ansiosa pra assistir a essa adaptação? Mas simplesmente não consigo me acostumar (e aceitar) com essa mistura de teatro/cinema/tv/ópera. O que é afinal de contas? Figurino maravilhoso e isso já dava pra imaginar, porque vi várias fotos antes da estréia. Acredite se quiser, nunca li o livro do Machado. É quase uma heresia, eu sei. ;-0
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