Por mais que eu goste do Marco Nanini e da Fernanda Torres, não dá: “Có-có-córonel Ódorico Paraguaçu” e Viúva Porcina serão sempre o Paulo Gracindo e a Regina Duarte.
Remakes, salvo honrosas exceções, deveriam ser proibidos pela Carta Magna, Convenção de Genebra ou pelos Dez Mandamentos.
Quanto ao Oscar, talvez hoje Scorsese seja uma lenda viva. Mas cinema autoral, à maneira de um Fellini, por exemplo, considero que só três camaradas o façam atualmente: Almodóvar, Woody Allen e Tarantino. Seus lançamentos são happenings, programas obrigatórios – mesmo saindo um ou outro filme aquém do conjunto da obra deles.
Se alguém citar Lars von Trier nos comentários, desculpe mas já vou discordar de antemão. Esse sujeito não me engana mais. Tentei ver Dogville, parei nos 12′37″ do primeiro tempo. Nem voltei do intervalo. Bocejei de tédio 318 vezes.
Mesmo assim, motivado pela repercussão, aluguei “Anticristo”.
O início é bacana. Fotografia imaculada, uma sequência poética até o voo solitário do bebê pra morte(caraca, escapou um spoiler, foi mal aí). Depois o filme propriamente dito , até seu final, padece de uma falta de identidade pra analista freudiano resolver. Pois não sabe se é um Nagisa Oshima mal disfarçado(já vi tudo aquilo em o Império dos Sentidos, com a vantagem da japa ter mais bunda que a Charlotte Gainsburg), ou a retomada do dogma, que se fez furor há algum tempo, hoje seus conceitos já foram absorvidos pela indústria do cinema, e não surpreendem mais. Saca artista mainstream de rock brazuca falando “foda” numa letra achando que isso vai derrubar as instituições? É por aí.
Aliás, o dogma tá pro cinema como a tropicália pra “mudérna” MPB. Foi bom pra renovar, mostrar pra nacionalistas radicais como o Geraldo Vandré que não é pecado mortal usar guitarra e/ou o dodecafonismo de Koellreutter em uma canção composta do lado de baixo do Equador. Mas, na boa: alguém em sã consciência hoje, à exceção de “Baby” e “Panis et Circencis”, ouve aquele álbum inteirinho ainda hoje???
Pronto, falei. Atirem as pedras!







on Mar 13th, 2010 at 11:06 am
Serbon, meu caro, pensei que tivesses morrido ou se convertido para o Hari Krishna. que surpresa acessar o blog e te ver de volta. Seu post causou-me uma opinião de encruzilhada, tanto concordo na parte da música, quanto concordo em termos sobre o Lars von Trier. O Lars produziu, na minha opinião, apenas um grande filme, que é o Dogville, sendo o Anticristo o tipo de filme que se assiste uma vez para nunca mais (com suas qualidades e suas deficiências de praxe pelo experimentalismo recalcado e pouco genuíno).
Sobre MPB,pra falar a verdade (já que o propósito é falar e pronto), descobri que, por mais que me esforce e seja bem intencionado, essa música me causa um tédio acima dos padrões suportáveis. Fiz o download da obra do Caetano. Tem canções ali extraordinárias, mas a maioria é de uma datação que mostra todas as influências estrangeiras maquiadas para serem originais: o álbum Bicho, p. ex, é puro Bitches Brew, Chic Corea, e a verdadeira genialidade é acoplar as canções a ritmos exórdinos. Mas, mesmo assim, me pareceu ser o melhor do Caetano.
Vejamos o chico e caetano, ao vivo, do começo dos anos 70. Extraordinário! Só que, em plena época das grandes edições fonográficas, como Dark Side of the Moon, Abbey Road, e dos monumentais álbuns ao vivo, como Live At Leeds do Who, e os do Deep Purple, vemos os produtores do chico e caetano colocando, como num marca tempo preciso, as palmas da platéia (sempre iguais), de antem~~ao gravadas, por todas as canções? Uma falcatrua desnecessária e das mais baratas, tipico coisa de mercado brasileiro. Ce tá curtindo uma das canções e, sem mais ou menos vem aquela sessão de palmas falsa invadir a música.
Também não aguento os discos da tropicália. assisti o Loki, me emocionei, mas quero o arnaldo longe de mim.
Pronto, falei!
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serbon Reply:
March 13th, 2010 at 11:28 am
heheheheh – Charles, vc passou perto ao falar do hare krishna – quase entrei pra seita do Glauco – felizmente desisti a tempo!!!
naquele lance da gravação ao vivo de Chico e Caetano, realmente – é uma claque, pior do que as claques de risos do Zorra Total. até admiro o Andre Midani, mas varios albuns ‘ao vivo’ do cast dele tinham essa mania. ouvindo hj, soa fake ao cubo. naquela época tbem dava esse estranhamento.
…e já que vc atestou, acho que vou tentar dar mais uma chance ao Dogville.
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on Mar 13th, 2010 at 11:41 am
Serbão, ao ler seu texto veio na minha cabeça todas aquelas coisinhas babacas que tentam nos meter goela abaixo na faculdade, aquele papo de subversão, da arte à política, já que estão sempre concatenadas. Ouvir Caetano talvez seja até hoje uma expressão de inconformismo. Muito poucos hoje em dia -no cinema, música, pintura ou em qualquer outra coisa- fazem algo pra se divertir ou pra falar duma coisa que precisa ser cuspida por que os sufoca. Todo mundo quer criar uma complexidade do inferno. Pra mim uma das músicas mais bonitas feitas até hoje é Bike, do Pink Floyd. Simples, alegre e melancólica ao mesmo tempo. Em relação à Sandra Bullock, como atriz é uma gostosa pro caralho (ops, desculpe o excesso de palavrões). Abraços!
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serbon Reply:
March 13th, 2010 at 9:00 pm
hehehe, to curtindo esse ‘pronto falei” !!!!
bike é muito boa. gosto tbem de ‘free four’, simplezinha e bonita. pink floyd tem dessas canções que pegam de ‘prima’, como ‘wish you were here’.
só nao posso compartilhar o entusiasmo pelo , digamos, ‘talento’ da sandra bullock, senao dona serbona bate com o pau de macarrão em mim…
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serbon Reply:
March 13th, 2010 at 9:01 pm
ou melhor, dona serboninzza….
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on Mar 13th, 2010 at 11:53 pm
Ahahahahaha. Sei como são estas coisas…
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on Mar 16th, 2010 at 10:15 pm
Iiiihh carai, eu ainda gosto muito daquele disco! À parte o lado manifesto, à parte a ‘ousadia estética’ (Bat Macumba é definitivamente imprestável), tem coisas ali que ainda me sabem muito bem. Caetano fez milagres naquele treco chamado Coração Materno (talvez a letra mais inimaginável da música popular em qualquer época), Lindonéia não cansa nunca (claro, com Nara …), Geléia Geral é ao mesmo tempo datada e permanente.
O Hino ao Senhor do Bonfim é um dos mais belos hinos disponíveis pelo Brasil afora. E, claro, as citadas no post.
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serbon Reply:
March 16th, 2010 at 11:06 pm
hehehe – o hino ao Senhor do Bomfim eu ouço todo dia em casa, quando hasteamos a bandeira da familia. ordens do meu pai, por causa do nosso sobrenome. daí saiu o Serbon. = SERgio BONfim..
cansado das piadinhas inevitáveis ouvidas desde a escola(vc é Bomfim? então vc vai ter um BOM FIM!!! hahahahahahaha) acabei adotando o nick Serbon, depois Serbão e agora Serba. as piadinhas rarearam.
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on Mar 16th, 2010 at 11:30 pm
Para não ouvir piadinhas como essa, o sujeito troca o nome até para Astrogildo.
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serbon Reply:
March 17th, 2010 at 6:45 pm
hehehe – “Serba” já tá legal e evita as piadinhas!!!
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on Mar 24th, 2010 at 3:28 pm
Dogville é um dos filmes mais bacanas que já vi.
Sono, luz apagada e cinema não combinam. ahaha
Lembro que achei aquele filme inglês(acho), que ganhou alguns oscares(acho), com um monte de corredores idiotas(tenho certeza), que em português chama-se Carruagens de Fogo(acho), um dos mais chatos que “assisti”(dormi) na vida. Revi-o anos depois(acordado). Foi pior.
Quase um “Ano passado em Marien”bad “”, do Resnais.
Sobre o dogma e LVT pergunto se vc já assistiu um filme dele chamado
“Os Idiotas”. Vale a pena conferir.
abração semi discordante
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serbon Reply:
March 25th, 2010 at 8:15 pm
heheheheeh… em Carruagens de Fogo até a musiquinha do Vangelis é chata…
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