Não sei o que é pior. Pagar um mico desses ou servir de escada prum papagaio de pelúcia…
Tuitar este postDèja-Vu
Não sei não, mas essa disposição do Jackson Lago em resistir a deixar o Palácio do Governo lá no feudo do Ribamar me lembra muito outra cena…
Tuitar este postLiteratura Moderna - Meu Conto de Verissimo
Foi numa dessas rodinhas de bar que o Bernardo, o literato da turma, levantou a questão:
-E se nós não existimos de verdade?
Todos se olharam, intrigados. O Pereira parou no meio o gole no chope:
-Como assim?
Bernardo seguiu em frente:
-A gente pode não existir de verdade, isso aqui pode ser uma ilusão.
-Penso, logo desisto - soltou o Gabriel, sempre metido a engraçadinho, mas foi logo cortado pelo
Estevão, que lhe enfiou um punhado de amendoins torrados garganta abaixo…
-A pergunta é pertinente - observou o Pereira, ainda no gesto de levantar a tulipinha de chope suspenso no ar - e o quê seríamos, de fato?
-Sei lá… um sonho de um maluco…
-Mas aí você só transferiria a questão para o cara que está sonhando - ponderou o Estevão - a pergunta passaria então pra ele…
-…ou então seríamos personagens de literatura -concluiu Bernardo, antes de virar seu chope e fazer o gesto chamando o garçom.
Silêncio total, enquanto o garçom reabastecia os copos de todos.
Bernardo deu mais um longo gole e prosseguiu:
-Isso aqui pode ser um conto, um prólogo, uma crônica…e estaríamos a bel prazer do Autor.
-Se for, quero ver uma coisa bem inusitada acontecer- desafiou o Pereira.
-Mais inusitada que o Bernardo utilizar a expressão bel prazer ? - perguntou Gabriel, com um risinho idiota no canto da boca.
O Estevão já ia obrigar Gabriel a engolir uma porção de tremoços quando entra um tigre no bar, entre gritarias gerais, vai até a mesa, abocanha o engraçadinho e o leva embora.
Todos ficam espantados e aliviados pelo fato de não ter que aturar mais os trocadilhos sem graça de Gabriel , menos Bernardo, impassível, com cara de “eu-não-disse?”.
-Como você fez isso? - perguntou o Pereira.
-Isso o quê?
-Entrar o tigre aqui, levar o Gabriel(ainda bem), num bar de São Paulo, às dez da noite de sexta?
-Eu não fiz nada. Foi o Autor.
-Foi coincidência - disse o Álvaro, quieto até então - se é o Autor, quero ver outra coisa. Outra prova de Sua existência, que transcenda as nossas.
Silêncio total, só quebrado pelo barulho de copos tilintando, e pedidos nas mesas vizinhas.
-O Autor pode tudo, inclusive não fazer nada- sentenciou Bernardo, dez minutos depois.
O Pereira, sempre prático, se revolta:
-Não é justo.
-O quê?
-Isso tudo -e faz um gesto apontando ao redor- a gente sempre se reuniu, sempre foi amigo, sempre veio para este bar… - e olhando feio para o Bernardo - aí vem o Bernardo, solta essa questão metafísica, e num instante descobrimos que SOMOS PERSONAGENS DE FICÇÃO???
Todos concordam, de cabeça baixa. Bernardo observa:
-É, mas as evidências sempre estiveram aí. Nós não costumávamos nos reunir, só o fizemos agora, pelo conto. Fomos criados apenas para este conto. Que é uma imitação barata do Luis Fernando Veríssimo, diga-se de passagem…
-Ah, isso é - concordou o Álvaro- minha noiva me deu o Comédia da Vida Privada, e é bem parecido.
Todos sabem que este é o único livro que o Álvaro leu em toda a vida, mas ninguém comenta em voz alta. Bernardo prossegue:
-Sua noiva (e o fato de você ter lido o Veríssimo ) foram inventados agora, pelo Autor. Que também não consegue disfarçar sua falta de criatividade em continuar o enredo. Até desconfio que…não deixa pra lá…
-Deixa pra lá o caralho! - gritou o Pereira, quase chorando - se eu sou uma ficção, quero saber tudo. Pelo menos me reservo este direito. Do que você desconfia?
-Não sei como dizer…mas acho que , pela falta de estilo literário e aprofundamento psicológico dos personagens…
-Ai, meu Deus, acho que já sei… -disse o Pereira…
-ESTAMOS NUM POST DAQUELES BLOGS QUE TÊM NA INTERNET!!!!!!!
O bar todo para. Uma mocinha bonita, de calças apertadas, levanta da mesa ao lado e vem, desconsolada:
-É sério, moço?
-É … - diz o Bernardo , entre cético e desconsolado.
-Entaum me linka aê e faz uma visitinha, pow! bjs!!!!
Pereira, desesperado, levanta e sai correndo:
-Não vou ficar aqui num texto de blog! Não vou!
-Espere - Bernardo esboça uma reação, mas não tem tempo: um peso de 16 toneladas cai do céu e esmaga Pereira, antes que ele chegasse à porta.
-Não tem graça - diz o Bernardo para o Autor - aí você já extrapolou.
O peso então desaparece e o Pereira, sem entender nada, volta ao normal.
Prossegue em direção à porta, abre , olha para fora , faz uma expressão de horror e volta à mesa, em estado de choque, repetindo:
-Não tem nada lá fora…não tem nada lá fora…
-Era isso que eu ia te contar, antes do Autor ter um arroubo montypythoniano - falou Bernardo - tome mais um chope.
-E agora? - pergunta Álvaro, ansioso…
-Bem, tudo deve ter uma razão - explica Bernardo - o maior dos contistas, Tchecov, dizia que, se num conto aparecesse uma espingarda pendurada em alguma parede, ela deveria disparar imediatamente, sob pena de não fazer sentido….
-Ahhhhh!!!!! - grita o Pereira, apontando para o centro da mesa.
Todos ficam horrorizados: uma espingarda, carregada, reluzia no lugar dos copos de chope.
-Você não precisa disso - Bernardo fala para o Autor, mas, preocupado, Álvaro observa que sua voz está trêmula e gotas de suor escorrem da testa - você não precisa provar nada para ninguém. Foi engraçadinho, seus leitores vão comentar com elogios e estará acabado. Você pode até ganhar links e ser citado por outros blogueiros mais famosos do que você. Deixe disso e ninguém se machuca, ok?
Então, do lado de fora do bar, só se ouvem os disparos e depois o silêncio…
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Ideias Engavetadas 1
Hoje fui almoçar com meu filho num fast food da praça de alimentação de um shopping.
Para não fazer propaganda, evitarei mencionar que foi no Burger King do SP Market, em São Paulo.
Enquanto almoçávamos, tive a ideia:
-Filho, seria legal a gente levar só a bandeja embora…de sacanagem. Fingir que ia pra outra mesa, aí correr pro carro e levar ela embora.
-Pra quê isso, pai? Que idiotice.
Continuei:
-Aí eu reservaria um cômodo da casa para guardar as bandejas roubadas, como um troféu. As colocaria numa vitrine, com placas informativas e luzes individuais: “esta é do Speedini do MorumbiShopping, esta do McDonald’s do Patagônia Center… ”
Ia prosseguir, mas diante do olhar de desaprovação e bom senso do meu filho, preferi engolir mais um punhado de batatas fritas e rebater com Kuat Zero.
E deixei a bandeja no lugar de devolução. Melhor assim.
Tuitar este postLost in Translation
Ontem vi um trecho do filme do Cazuza na Globo, e ri muito … além do filme, que é hilário de tão ruim, houve um belo tropeço na legendagem.
Tem uma cena em que ele ensaia “Smoke on the Water” com o Barão Vermelho. Cismaram de colocar a tradução das músicas em inglês.
Quem conhece a música sabe da história. O Deep Purple foi gravar o álbum “Machine Head” - um dos dez obrigatórios em qualquer discoteca de rock que se preze - em MONTREUX, SUÍÇA, ONDE TEM O LENDÁRIO FESTIVAL DE JAZZ.
Aí foram assistir a um show do Frank Zappa no complexo onde gravavam. Um maluco na plateia tacou fogo no local. Resumo: o Purple teve que improvisar um estúdio no hotel. E aí fizeram a música contando tudo:
“We all came out to Montreux/on the lake geneva shoreline/to make records with a mobile/we didn’t have much time”…
Traduziram assim na legenda: “Nós viemos de MONTREAL/para o lago Genebra…”
Hehehehehe!!!! Na cabeça do tradutor, o Deep Purple foi pro Canadá pra gravar na Suíça!!!
Por sorte o refrão “Smoke on the Water” nao virou “Fumando debaixo d’água”….
E aí lembrei que essas tropeçadas na tradução são rotina. E tem uma mais infame.
“Taxman”, dos Beatles, foi traduzida na época da Jovem Guarda, como “Chame um Táxi”, pela Meire Pavão…
Aqui, a prova do crime:
Pra encerrar o post em melhor astral, voltamos ao Deep Purple, com um dos riffs mais famosos da História:
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