
Listinha bem sem vergonha essa da Rolling Stone, das 100 Melhores Músicas Brasileiras. Poucas canções da era pré-bossa nova. Dorival Caymmi só aparece no fim da lista, com o Mar, e nada de O Samba da Minha Terra (com os célebres versos “Quem Não Gosta de samba/Bom Sujeito Não É…”) .
Ary Barroso comparece com “Aquarela do Brasil”, obrigatória, mas nada de “Sandália de Prata”.
Roberto e Erasmo, é justo entrarem na lista; mas omitir “Vem Quente que Estou Fervendo” entre o rock brazuca não pode. Assim como não tem nada dos chamados ‘bregas’(cadê Waldick e “Eu Não Sou Cachorro Não”????), nem uma canção sertaneja de raiz (“Menino da Porteira” merecia ser lembrada). Ivan Lins, a quem foi atribuído o rótulo dogmático de ‘chato’ ficou de fora, mesmo tendo sua “Madalena” uma gravação magistral da Elis. Dos nordestinos, Luiz Gonzaga e “Asa Branca” fica parecendo apenas uma concessão dos ‘críticos’, pois meio mundo ficou de fora.
Quase que se desculpando, a revista justifica que seriam as canções que “mudaram a cara do Brasil”.
Então é imperdoável omitir Carmen Miranda, a artista que estourou em Hollywood e divulgou o país lá fora(“O Que é Que a Baiana Tem?” Dele, Caymmi); imperdoável esquecer de Chiquinha Gonzaga e seu tango “Corta-Jaca” que abalou a “Corte”, ao lado do “Odeon” do Ernesto Nazareth; e o primeiro samba de sucesso nacional, “Pelo Telefone” de Donga, era obrigatório por esse critério.
Aí o fecho com chave de fezes: “Anna Julia” dos superestimados ao cubo Los Hermanos. Uma canção que nem eles mesmos aguentam mais.
Nada a estranhar, no fim das contas. Listas são assim mesmo. Principalmente as que se apresentam como ‘definitivas’. Sempre aparece um chato como eu para reclamar. E pra quê precisamos delas?
PS - dei uma olhada no júri. Tem gente boa, mas também muita molecada que escreve nos suplementos culturais. Faltou ouvir pesquisadores sérios como Zuza Homem de Mello, Jairo Severiano, o Tinhorão e Ricardo Cravo Albin. Essa elipse explica muita coisa…