Tem gente que leu Maquiavel, mas não entendeu ou entendeu para o mal. Acho que o renomado imortal da Academia Brasileira de Letras, presidente do Senado e colunista do jornal da ditabranda é um deles.
Maquiavel falava de dois conceitos para o sucesso político: a virtú e a fortuna. Numa grosseira interpretação, a Virtù seria a capacidade de aproveitar as oportunidades, cedidas pela fortuna, ou sorte.
Senão , vejamos: a fortuna começou a sorrir para o jovem político, que chegou a governador do Maranhão , prometendo romper com as oligarquias. Rompeu, mas instalou a dele. E não entendeu, ou não quis entender, o sutil recado de Glauber Rocha que dirigiu o documentário Maranhão 66, sobre a posse.
Seu Ribamar seguiu escrevendo livros, pintando quadros , progredindo na vida e na política. Enquanto o regime militar esfarelava, a Fortuna novamente apareceu na forma da Frente Liberal. Riba então acionou a tal virtù e trocou de lado. Foi ser justamente o vice de Tancredo Neves pela Aliança Democrática(sic).
Aí a Fortuna, novamente ela, sorriu para o autor de Marimbondos de Fogo, escancarada,como uma diverticulite. Riba passou de garoto de recados dos milicos para o primeiro presidente civil depois da Redentora.
Não satisfeita, a Fortuna, essa vil e caprichosa cortesã, jogou no colo do Riba o Plano Cruzado.Uma chance daquelas que só temos uma vez na vida de ganhar a mega-sena acumulada sozinho e passar o resto dos dias no Taiti acompanhado da Gisele Bündchen, Penelope Cruz , Naomi Watts, Tais Araujo e Jessica Alba.
Riba tinha tudo para derrubar a inflação de 1.256.755.318% ao dia e se tornar um ESTADISTA.
O político mais popular da Ilha de Vera Cruz, desde que Pero Vaz escreveu que aqui tudo dá.
E o que fez nosso herói???
FALHOU MISERAVELMENTE. Saiu do Planalto levando pedradas no ônibus, achincalhado pelos humoristas.
Hoje, em vez de se portar como um ex-presidente gerindo uma ONG ou negociando a libertação de reféns, Riba virou senador pelo Amapá - e duvido que ele conheça algum bairro de Macapá - e se dedica a censurar blogueiros, jornais, e editar atos secretos para empregar namorados das netas. Ou seja, sem virtù, nem fortuna.
Mesmo assim, Ribamar não larga o osso.
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